“How come no-one ever ‘misses’ me?”

Desde o final de junho tenho ensaiado escrever este post. Só agora tive tempo, disposição e material de sobra pra isso. É bem possível que o Vitor do início do inverno fique descontente com o desempenho do Vitor do início da primavera, já que algo ensaiado por tanto tempo sem execução tem altas chances de ter perdido a oportunidade de acontecer [de certa forma o post até se relaciona com isso :idea:]. O entusiasmo, uma estação depois, também é outro.

Ah, além disso eu fiquei prometendo que ia escrever e não mostrei serviço, o que piora o meu prognóstico!

Introdução negativa, eu sei! Talvez seja bom começar com as expectativas mais baixas, assim é possível que o resultado seja surpreendente (ou não!).

[fui tomar banho e a Ouro Verde foi bem legal comigo #oneohfivepointfive e tocou duas favoritas minhas: primeiro foi ♫ People alone may go very fast but maybe not so far ♪ da Randy Crawford. Eu lembro de cantar esse refrão na minha cabeça indo a pé pra aula em Barão Geraldo (deprimente). Em seguida tocou “Especially for you” da Kylie com o Jason Donovan quando ainda eram jovens atores na Austrália… [não] tem como não gostar de Kylie velha da fase Stock-Aitken-Waterman! Se alguém nesse mundo tiver algum interesse tem um dueto dela com o Kermit (Caco) bem bonitinho, e, se não me engano, uma apresentação no X-factor para os quais eu não linkarei, se dê o trabalho!]

Tudo começou com um artigo do gawker.com tratando de uma constatação dos técnicos do Craigslist sobre a linha L do metrô de Nova Iorque:  L stands for . Isto se dá pelo fato de que a linha é a que registra o maior número de missed connections no site da big apple. O Craigslist é uma página de classificados, onde se pode encontrar o oferecer quase de tudo; classificados pessoais não são muito populares por aqui, mas são bastante utilizados em outros países. A seção de missed connections (aceita lá que você tem mais de 18 – se for o caso… é que uns poucos classificados são meio chat roulette: menos chat, mais roulette IYKWIM – já aviso que nunca participei daquilo, só ouvi as histórias) é dedicada a mensagens de pessoas que, anonimamente, buscam por outras que despertaram seu interesse sem que houvesse a oportunidade de se conhecerem melhor.

Shared smiles on the L train (backgammon girl) – m4w (Union Square)
Hey.. you probably are never going to see this but..
We were sharing the same pole and I couldn’t help but smiling every time our eyes met. You were wearing an orange/red dress.
Let’s hang out some time?

Esclarecendo [e extrapolando] melhor:

  • sabe aquela menina que você viu uma vez no ônibus vestindo uma calça roxa (tá certo o tom?) da qual você gostou tanto e ficou morrendo de vontade de levantar e dizer pra ela o quanto a calça era legal, visto que vocês duas devem ter algumas semelhanças de humor além do gosto, e não o fez por alguma razão?
  • sabe aquele cara que tem a risada mais debochada, com o timbre mais incrível que você já ouviu e que simplesmente não pode vestir verde novamente (sob o risco de fazer teu coração parar por um período mais longo do que o que ele já para quando você se depara com ele) com o qual você nunca trocou nada além de olhares por medo e/ou comodismo?
  • sabe aquele seu familiar que é muito especial pra você, e que, talvez por uma série de motivos, deixou de conhecer?
  • sabe aquela pessoa pela qual você se encantou em algum canto dessa terra pelo seu jeito, traço físico, gesto, voz, risada, perfume (e uma série de outros ganchos sensoriais) mas não teve a oportunidade, a boa-vontade, a coragem, a atitude (e uma série de outras desculpas deslavadas e esfarrapadas) de iniciar uma conversa para confirmar sua cativação?

Se você sabe é porque já entendeu o tema deste post!

4/5/6 platform. Gray suit for Black suit – m4m – 28 (Midtown)
On the platform today at 42nd St – Grand Central, you were going downtown and I was going uptown. It was around 7:30 after work. Where were you going, black suit? Back to the village where you live, or perhaps to Brooklyn, or maybe New Lots Ave. Who knows. What an incredible smile you gave me when we both figured out we were staring. You seem fun. I didn’t know how to sign ‘missed connection’ to you from through the 4 train window. Voila, my first missed connection.

A primeira coisa que fiz quando tive contato com o termo foi buscar o que as pessoas falavam a respeito. Nessa pesquisa eu encontrei o blog da ilustradora Sophie Blackall – a quem pertence a aquarela lá do comecinho do post. Inspirada pelas missed connections ela transforma em cenas lindamente coloridas as curtas descrições, muitas vezes poéticas, desses contatos perdidos.

Ao colocar o termo missed connections na mensagem de status do gtalk, umas semanas depois de ter tido contato com o assunto, acabei arrebanhando mais duas que igualmente se conectaram com a ideia – se apaixonaram pelas ilustrações da Sophie – e pudemos compartilhar nossas experiências e admiração por ela. Todos acabamos incorrendo nessas ligações não efetuadas, infelizmente, e provavelmente perdemos muito por deixá-las acontecerem. Ao escrever, dois posts atrás, eu acabei pensando nessas perdas e a preocupação em escrever esse post se reafirmou.  Todos gostamos de saber que temos algo de interessante, todos gostamos de receber elogios de vez em quando. Se ele é uma das raras pessoas que fica bem com o cabelo descolorido talvez seria educado que ele soubesse disso.

V. Cute Chelsea woman walking v. cute dog…. – w4w – 39 (23rd and 10th)
I’ve seen you walking your Boston Terrier (French Bulldog?) a few times outside my building and crud, I’m too shy to say anything – but this evening you winked at me and .. well, I blushed a little. Then you disappeared around the corner… I kept hoping you’d come back to wink at me with the other eye. You’re so cute. Me: icky smoker, usually in a hoodie or some other kind of loungewear. Hoping you’ll see this — if not, I’ll see you soon enough, I hope. xo

Antes de ontem, pois já é quarta, quando procurava pela Superinteressante de outubro (onde a Tabata, meio-prima de enésimo-grau com quem tive o prazer de conviver durante o ensino médio, foi citada – whoop!) eu dei de cara com a capa da revista piauí 48 e admiti que era a hora perfeita para esse artigo. Sem pretensão de tratar das missed connections, a revista, de proporções jornalescas, tem em sua grande capa um dos trabalhos da Sophie Blackall➡.

Bom, chego à peroração sem concluir o texto. Espero que ele possa continuar nos comentários.

Já teve uma missed connection? Como foi a sua experiência?

Compartilhe!

Ah, para os incrédulos, existem missed connections success stories! Há várias aqui, e o Craigslist disponibilizou um espaço para registrá-las. Quem sabe ainda veremos algo feito com as melhores delas🙂

‘I shall never have enough,’ he began, with vicious emphasis. Then laughing, ‘I shall always be three-pence short in my accounts.’ (Kipling 1891)
Esse post foi publicado em day-by-day, Para todos os públicos, Vale a pena e marcado . Guardar link permanente.

5 respostas para “How come no-one ever ‘misses’ me?”

  1. disse:

    não conhecia! parece ótimo! gosto muito do post secret, que é uma versão talvez mais complexificada e sei lá, subjetiva.. mas parece ótimo! vou dar uma olhada :~

  2. Vitor disse:

    esqueci de dizer:

    O post foi esquematizado e concluído ao som de Flamingo, do Brandon Flowers, que eu ouvi ontem pela primeira vez (apesar de ter conhecer Crossfire – que é ótima – há um bom tempo). É uma pena ele não ter incluído nas faixas bônus a rendition que ele fez de Bette Davis Eyes.

    Boa parte da execução do texto foi ao som de Olivia Newton-John😀, que me deixou extremamente empolgado ao pintar no rádio cantando Magic no domingo e me fez cantarolar diariamente esse ápice de Xanadu.

    ♪ You have to believe, we are magic. Nothing can stand in our way! ♫

  3. Bruna disse:

    poxa Vi, nem sei o que dizer.
    Já falamos muito do tema, então, só me resta elogiar o post, e dizer que adorei a estrutura do texto. Fiquei com medo que você tivesse uma ‘missed connection’ com o texto – isso aconteceu comigo no texto do H&F – mas ficou ótimo, babe!!
    Fico feliz que você, de alguma forma, divulgue esse achado sobre perdidos!

    obs: Meu coração apertou hoje quando percebi que faltam 3 dias! ai ai, só não vamos perder nossa conexão já estabelecida, né?… já bastam nossos tantões de missed connection.

  4. Carla disse:

    #oneohfivepointfive ouro veeeerdi. Para mim essa vinheta é um calmante natural. Parece que tudo está no lugar, pois sempre são as mesmas músicas, a mesma vinheta..se eles mudarem essa vinheta seria..um caos!

    “[não] tem como não gostar de Kylie velha da fase Stock-Aitken-Waterman! ” – Ah, tem sim. é só vc ter sido contemporâneo de quando isso tocava nas rádios. Ugh!

    Eu falei para vc elogiar o cabelo descolorido.

    Sim, deve ser legal ser a missed connection de alguém. Bem, o andino do buço suado chegou em vc, ele não deixou vc ser uma missed connection. Too bad he was not you type… rs. Mas um dia quem sabe acontece uma connection legal.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s